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domingo, 1 de abril de 2012

Porque toda flor seca


As pessoas saem por aí amando

umas às outras, incondicionalmente

Por que razão adotam essa des- filosofia?

Não, eu não quero isso

não preciso querer

é desgraça opcional

Ainda que doa e não se sinta, é ferida.

A melhor parte, a racional, a da conquista,

passa rápido.

Dispenso a tela escura da consequência disso

dispenso o descontentamento poético

e os comentários infelizes

dos hipócritas que vão dizer que estou errada

mas que passam uma vida toda

se arrependendo.

terça-feira, 6 de março de 2012

era eu?

Conspiraram contra minha pseudônima noite passada
e eu fingi que nem era comigo
não era, de certa forma
mas no fundo até doeu um pouquinho
foi tudo manipulado
disseram que era eu lá
falando de putas e cornos e hipócritas
mas no fundo não era, você sabe
eu não falo dessas coisas
só a suja tem coragem
é assim que eu a chamo, a suja
Descobri semana passada que ela fuma escondida
cigarro importado, aquela bandida
ela é boa, no fundo
mas fuma e bebe
e desconfia que está grávida de quatro em quatro meses
diz ela que é uma boa frequência
eu acho que ela mente
mas enfim
eu tive que saber a bobagem que ela escreveu que acharam que era eu
e me arrependi quando reli
a suja escreveu assim:

"venha encarar, isso não é um sonho
me chama de suja mas não me ofende
não me entende e me guarda em seu interno enfadonho
mas quando me mostro sou exposta, não me envergonho
hipocrisia nem de longe me encosta
pobre de você que me criou e não me suporta em noites de lua cheia"

Me chamou de hipócrita aquela ordinária
E ainda tiveram a coragem de dizer que era eu.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

eu-lírico


Ela era loira falsa e feia, gostava de baladas sujas e beijos suados, de calças de cintura baixa, e decotes abusivos, tinha unhas grandes e fracas, a infância roída e o rosto pintado de vermelho. Vergonha nenhuma. Palavrões todos. Os que ouvia e os que dizia. Muitos ela desconhecia o significado, mas subentendia enquanto rebolava no caminho. Tinha o cabelo oleoso, muitas tatuagens e outros arrependimentos pelo corpo. Ouvia Kesha no quarto, por horas dançando com a luz apagada. E não tirava o lápis dos olhos pra dormir. Sua mãe tinha desgosto da vida, o pai apenas o gosto da bebida na boca, mais nada. Todos os irmãos a respeitvam. Tudo que ela temia na vida, era gravidez e incencêndio em casa, mas todas as manhãs abortava os sonhos de sua mãe e queimava de ódio do mundo, dentro de si. Ela era forte e fraca demais.
Só quando dormia é que cessava o pesadelo da vida; quando acordava, lembrava que esquecera de limpar a maquiagem, de tomar banho, de lavar as calcinhas porque acabaram as limpas. Tossia e lavava o rosto com água; e não limpava absolutamente nada.

Às vezes ela queria sair de dentro da dona do Jardim mas sabia que ficava melhor escondida lá dentro, ajudando-a a escrever.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu-lírico > reportagem exclusiva

Jardineira reporter por um dia: É um prazer imenso estar aqui com vocês novamete a postar no Jardim. E com semelhante alegria recebo esta convidada que já é de casa. Seja muito bem vinda novamente, meu eu lírico !

eu-lírico: E aí.

Jardineira: Conte pra gente, todos anciosos para saber: quem é você?

eu-lírico: Sou fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente...

Jardineira: Você é o amor na definição de Camões?

eu-lírico: Amor, eu? (risos). Querida, tenho minhas dúvidas se este habita em meu ser. Acredito que se conceituar-me como desamor, seria menos imprecisa, ainda que não esgote, nem de longe, todo meu significado.

Jardineira: Não há amor em você?

eu-lírico: Há tudo e nada em um só tempo. Não disse que não há amor, disse que tenho minhas dúvidas. Dúvidas talvez seja o que mais tenho.

Jardineira: Você poderia ser um pouco mais objetiva?

eu-lírico: Sou um eu-lírico, não uma flecha. Sonda-me com toda tua habilidade e eu me posso despir com mais coerência.

Jardineira: Não precisa, não precisa. Continue vestida como está que eu pergunto diferente. O que faz por aqui no meu blog?

eu-lírico: Ora, esta é minha segunda casa, se me permite assim dizer. Gosto do nome e do aconchego; da fonte que usa, do espaçamento entre as linhas; gosto da cor de fundo, mas principalmente, e se me concede a ousadia, gosto da maneira como você me procura para preencher seus momentos e injetar-me em seus devaneios como um hormônio das palavras. Até quando você fecha os olhos sinto que o que você quer é enxergar-me. Que quando se encontra em meio a solidão, clama por minha manifestação.
Reconhece meu sussurro quando o silêncio grita. E se sorrio, como raramente faço, você sente a minha versatilidade e mobilidade, ainda que eu esteja exatamente como e onde sempre estive. Me acaricia com bondade, de acalenta com compaixão. Me dá ouvidos como poucos fazem, me...

Jardineira: Desculpe-me a intervenção, mas não combinamos que você diria aqui coisas tão pessoais. Você não me conhece tanto quanto acredita.

eu-lírico: Eu sei muitas coisas sobre você que nem mesmo você supõe.

Jardineira: Como assim?Você está me deixando confusa.

eu-lírico: (risos) não se preocupe, prossiga, sim.

Jardineira: Por hoje é só.

eu-lírico: Que é isso? É medo de se perder?

Jardineira: Perdida já estou há muito tempo. Mas você deveria colaborar pra que eu melhorasse. Que quer que eu faça sozinha? Você sabe que não consigo nada sozinha. Por exemplo, eu tenho uma prova difícil amanhã e ainda estou te dando ouvidos. Tanta imprudência jamais me levará às respostas...

eu-lírico: Às respostas da vida ou às da prova de amanhã?

Jardineira: Ambas.

eu-lírico: Quanto à prova, vá estudar a teoria. A madrugada revela sabores interessantes. Não te deixarei cochilar, seu não quiser. Quanto à vida, vá estudar a prática. As verdades que vamos descobrir juntas determinará a imortalidade desta nossa parceria. Não te deixarei morrer, se não quiser.

Jardineira: Perdoe se fui grosseira anteriormente. É que às vezes tenho dificuldade para lhe compreender.

eu-lírico: Imagina, imagina...

Jardineira. Boa noite.

eu-lírico: Feremos o melhor que pudermos; agora vá estudar, acordamos cedo amanhã.