terça-feira, 18 de outubro de 2011


A menina que escrevia morava num jardim secreto onde a flora assumia cor e formato incerto, mas que a menina conseguia, com um dom muito discreto, interpretar com todo afeto e transformar em poesia...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Piquenique

E chegava a quarta feira
dia de comemorar
pegava uma toalha pra forrar
e as frutas que sempre comia
pulava a janela devagar
Quando pousava no chão, sorria
limpava-se batendo as mãos na saia
depois do esforço que fazia
Era mais lindo aquele dia
mais que qualquer outro
deixava ela o cabelo solto
porque o vento o conduzia... 

domingo, 11 de setembro de 2011

unha? tô muito besta hoje :B iuhiuhuihiu

Você foi a única testemunha
e assim como eu supunha
mais uma vez me enganou.
Roí a última unha
derramei a última lágrima
foi o que me restou.
e cada verso deste lugar
cada letra malfeita
traduz de forma singular
ainda que imperfeita
minha dificuldade
em acreditar
que não era tudo verdade.
Você nunca teve idade
e nem a cabeça feita
mentiu sobre vaidade
sobre fé, partido e ceita
não liguei para a realidade
e me dei por satisfeita
agora essa tempestade
me deixa completamente desfeita
______________________________________

agora leia novamente (não, não perca seu tempo)
e veja com mais calma:
Se eu tivesse escrito
com palavras que vêm da alma
eu não teria rimado "supunha" com "unha"
não ia ter nem mesmo tentado
essa pressa de escrever,
não me deixa pensar direito
talvez eu devesse postar
algo decente para vocês
algum poema já feito...
quem sabe na proxima vez ^^

uhasuhuasahushua, to muito besta hoje.









sábado, 3 de setembro de 2011

abrigo

Se te faço compreender bem devagar o que digo
é porque planejo minha reação para suas reações
e no final você bem sabe que não consigo
porque confundo a atenção com todas as outras emoções
veja o perigo:
enquanto eu tento prestar atenção
você presta atenção junto comigo
aí eu disfarço pra reverter a situação
mas você mantém postura de inimigo
segura minha mão
só pode ser castigo!
eu tinha todo meu plano de ação
mas sempre que eu tento, me contradigo
se eu levasse em consideração
que seu olhar quarda segredos consigo
deixaria de lutar contra essa tentação
e admitiria que só nele encontro abrigo.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

chá

eu trocaria todos os verões sozinho 
por uma noite de inverno ao seu lado
seria mais vento e menos frio
tudo por seu sorriso ensolarado
que aqueceria meu coração bem depressa
mais rapidamente que qualquer cobertor.
trocaria também essa sopa
por um chá de cidreira gelado
não sei se por amor ou frescura
mas, mais chique que isso
seria qualquer copo d'agua
divido com você.

domingo, 28 de agosto de 2011

muito mais planos

Já pensei em pular de asa delta ou pintar o cabelo de azul. Em seguida fazer uma tatuagem, cortar o cabelo para que ela aparecesse. E escreveria um livro antes dos 19 anos. Veja o que aconteceu: nunca tive tempo e dinheiro pra asa delta e meu cabelo fraco não suportaria descoloração. Entrei pro curso de Direito, e adiei por tempo indeterminado uma tatuagem aparente.
Claro, eu tinha mais ambições... mas não me lembro neste momento.
Mas antes que eu comece a reclamar de novo, eu me pergunto: como tenho coragem de tanto fazer apologia à felicidade, e não buscá-la?
Absurdos da vida, mais um para a coleção.

Jardineira, que tal uma manhã em outra cidade, com um livro na mão e outro em mente? Vou começar este livro de uma vez por todas. Antes do almoço, impreterivelmente.
hm.. já está tarde...
Boa noite mundo, vou ali sonhar um pouco mais.


Asas



Assisti a um filme que me deu a sensação de que preciso de uma mochila bem grande, dinheiro no bolso e no banco e um ônibus que me leve ao aeroporto mais próximo. "Volto daqui a dez anos com notícias" seria a última frase que ouviriam vendo minha imagem. Eu escreveria cartões postais aos meus amigos, deixaria o cabelo crescer. Falaria coisas sem sentido para pessoas que não entendem minha língua. Conheceria outras línguas. Compraria alguns lenços coloridos e óculus diversos. E talvez adotaria um menino de 5 anos. Voltaria com a voz mais serena, a alma mais branda, o espírito com asas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

palavras demais




Dias ruins geram pensamentos demais,
palavras demais.
Se compromete com tudo nessa vida: responsabilidades alheias, filhos alheios, dores.
Mas o pior dos ajudantes é aquele que deixa a ferida dentro de si ficar maior enquanto só se importa com o que não é seu.
Uma bela manhã de sol acordou e decidiu preparar o café um pouco mais fraco
pra ver se era a cafeína que tirava o ânimo da vida para o qual sempre fez apologia.
mas acho que a culpa é de outros vícios
fala demais
dorme de menos
se preocupa demais
se preocupa muito menos com o que realmente deveria.
hoje riu dos outros
mas chorou quando se viu no espelho
corta demais o cabelo mas se esquece do que realmente precisa cortar
e dessa vez não é a cafeína
nem os pulsos, caso se preocupe com a hipótese.
vive como membrana
e se desfaz com facilidade
amarra laço no cabelo e se desamarra em todo o restante
se desorienta com verdades
e usa as palavras erradas
e não completa uma frase com eficiência.
mas veja que nem tudo se perdeu: ainda acha que pode conquistar o mundo
logo depois de aprender a falar certinho e a não escrever bobagens.
mas é que haviam na cabeça palavras demais.

nossa

3000 visitas! O:
sem palavras.
muito obrigada. Funciona muito melhor quando eu sei que alguém se importa também.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

eu-lírico


Ela era loira falsa e feia, gostava de baladas sujas e beijos suados, de calças de cintura baixa, e decotes abusivos, tinha unhas grandes e fracas, a infância roída e o rosto pintado de vermelho. Vergonha nenhuma. Palavrões todos. Os que ouvia e os que dizia. Muitos ela desconhecia o significado, mas subentendia enquanto rebolava no caminho. Tinha o cabelo oleoso, muitas tatuagens e outros arrependimentos pelo corpo. Ouvia Kesha no quarto, por horas dançando com a luz apagada. E não tirava o lápis dos olhos pra dormir. Sua mãe tinha desgosto da vida, o pai apenas o gosto da bebida na boca, mais nada. Todos os irmãos a respeitvam. Tudo que ela temia na vida, era gravidez e incencêndio em casa, mas todas as manhãs abortava os sonhos de sua mãe e queimava de ódio do mundo, dentro de si. Ela era forte e fraca demais.
Só quando dormia é que cessava o pesadelo da vida; quando acordava, lembrava que esquecera de limpar a maquiagem, de tomar banho, de lavar as calcinhas porque acabaram as limpas. Tossia e lavava o rosto com água; e não limpava absolutamente nada.

Às vezes ela queria sair de dentro da dona do Jardim mas sabia que ficava melhor escondida lá dentro, ajudando-a a escrever.