terça-feira, 23 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Tinha que ser outra coisa
O médico me disse que eu tinha 30 dias de vida.
Eu já ouvi muitas frases fortes na vida, algumas proferidas por filósofos, outras por músicos, outras por meu pai. Todas elas foram consideradas fortes porque me fizeram refletir sobre a maneira como eu levava a minha vida ou a maneira como eu encarava a vida de um modo geral. Essa, porém, foi a frase mais importante que ouvi na vida, porque me fez refletir sobre a morte, e morte é o fato mais interessante que existe sobre a vida. Para mim ela não é apenas mais um fato, mas é o último. O que a torna tão interessante é que ela tem a possibilidade de mudar toda a sua vida. Pessoas depois de mortas viram santas, talvez sem terem merecido. Outras viram ícones, por uma ou outra atitude que em vida, se contada em um post no facebook não valeria mais de três ou quatro compartilhamentos. Alguns são lembrados por muito tempo ainda, pois deixaram em testamento o pedido de que sua casa virasse um museu para visitação... Outros xilogravaram um coração na árvore do quintal do primeiro amor, que desiludido repara o risco que perecerá junto com a árvore na geração seguinte. Outra questão é que a morte tem, não só o condão de mudar a sua vida após a morte como também mudá-la enquanto a espera.
Não me importava refletir, de qualquer forma, eu não tinha mais tempo.
A primeira coisa que me passara pela cabeça foi esbofetear o médico; Assim como numa história triste de alguém condenado a morte, sempre achei que o maior culpado pela morte do condenado não era somente ele pelo crime cometido, mas também aquele que ligava a máquina que o mataria. A doença me levou àquele consultório, mas o médico entregou-me um pacote maldito, uma notícia drástica. A m-o-r-t-e, que saltou eufemismada da boca do doutor passava a ser meu animal de estimação, minha cadeira elétrica presa numa coleira e algemada em meu pulso, segurando minha pulsação que agora fazia contagem regressiva. Mas os pensamentos, meio que adaptados a minha nova realidade foram formando-se mais rapidamente que o normal, dando-me a ciência de que eu não tinha tempo para lidar com as consequências de um tapa na cara de alguém. Eu não tinha tempo para muitos dos atos para os quais eu tinha tempo há 30 segundos atrás. Eu não tinha tempo para parar para pensar. Resolvi literalmente pensar correndo.
Corri escadas abaixo, corri pelos corredores, corri pelas ruas, corri pelas escadas do meu apartamento, corri sala adentro, em direção ao meu guarda roupa. Peguei uma mala. Corri ao enchê-la com qualquer coisa. Depois parei de correr. Decidi pensar parada, porque se eu realmente tiver que realizar tudo que pretendo agora, não posso esquecer coisas como um carregador de celular.
Ia perder tempo num ônibus. Não queria utilizar os métodos comuns para que o tempo passasse rápido, como ouvir música ou ler. Se fosse ler, teria que ser resumos rápidos. Se fosse ouvir música, Precisava ser ao vivo, eu não tinha tempo para gravações.
"Encontre o que você ama e deixe isso te matar."
Lembrei dessa frase e ela ecoou pelos meus ossos, enquanto corria o tempo que eu me permiti parar. "Encontre o que você ama e deixe isso te matar." Eu não podia deixar a morte me matar, tinha que ser outra coisa. Mas eu amava muita coisa. Família, amigos e cão de estimação, principalmente. Depois o sol. Depois a música "elephant gun". Se você reconhece a magnitude daquela frase de Charles Bukowski, tem que aceitar que Amy Winehouse, Chorão e Elis Regina tiveram finais... certos. Eles amavam tanto aquela sensação a que se submetiam... Se acha que a morte deles não foi digna, a realidade é que não existe morte digna, apenas vida, e eles a tiveram. Eu não me oponho a esta ideia, pois amor, gosto e sinal de nascença, cada um tem o seu, e é melhor não discutir. Não dá pra escolher entre amores mais amados. Então mudei a frase, a meu gosto: Encontre o amor mais legal e deixe isso te matar.
Eu havia encontrato algo, há três anos atrás. Um rapaz legal, pobre e cheio de sonhos como eu. Então não era atrás da minha família que eu pretendia ir, não era atrás de meus amigos. Para eles eu planejei uma carta chorosa e grata para ser escrita dentro do ônibus. E não importava o quão tristes todos ficariam ao saber que o pouco tempo de vida que eu tinha, eles não o viveram comigo, pois eu não podia perder meu tempo sofrendo com o futuro sofrimento dos meus amores. Eu só tinha tempo para encontrar o meu amor mais legal, e tinha que ser isso. Peguei minhas coisas e coloquei mesmo na mala, com uma roupa qualquer, uma maçã, o número do telefone dele, subi no ônibus.
Separei o vestido do encontro.
Separei um lenço florido para o cabelo.
Construí espectativas enquanto escrevia minhas cartas.
Toquei campainhas e fiz crianças rirem.
Beijei o homem que me deu instruções de como chegar ao meu destino.
Roubei flores de uma floricultura.
Ouvi música sim.
Encontrei meu amor e morri.
Se alguém escrevesse um livro sobre isso, seria curto, comum. Meus dias finais não possuirão mais detalhes para serem contados. Não quis deixar detalhes para não ter que disputar minha imortalidade com tantos outros. Nem quis virar santa. Fui feliz na vida e tive sorte de encontrar meu amor em casa. Se eu tivesse mais de trinta dias, encontraria todos os meus amores em casa. Se eu tivesse um dia, ficaria em casa. Se eu tivesse trinta anos... escreveria uma história, basearia ela em um ou dois fatos reais e colocaria algum drama para lembrar as pessoas da brevidade da vida e de seus amores legais.
Eu já ouvi muitas frases fortes na vida, algumas proferidas por filósofos, outras por músicos, outras por meu pai. Todas elas foram consideradas fortes porque me fizeram refletir sobre a maneira como eu levava a minha vida ou a maneira como eu encarava a vida de um modo geral. Essa, porém, foi a frase mais importante que ouvi na vida, porque me fez refletir sobre a morte, e morte é o fato mais interessante que existe sobre a vida. Para mim ela não é apenas mais um fato, mas é o último. O que a torna tão interessante é que ela tem a possibilidade de mudar toda a sua vida. Pessoas depois de mortas viram santas, talvez sem terem merecido. Outras viram ícones, por uma ou outra atitude que em vida, se contada em um post no facebook não valeria mais de três ou quatro compartilhamentos. Alguns são lembrados por muito tempo ainda, pois deixaram em testamento o pedido de que sua casa virasse um museu para visitação... Outros xilogravaram um coração na árvore do quintal do primeiro amor, que desiludido repara o risco que perecerá junto com a árvore na geração seguinte. Outra questão é que a morte tem, não só o condão de mudar a sua vida após a morte como também mudá-la enquanto a espera.
Não me importava refletir, de qualquer forma, eu não tinha mais tempo.
A primeira coisa que me passara pela cabeça foi esbofetear o médico; Assim como numa história triste de alguém condenado a morte, sempre achei que o maior culpado pela morte do condenado não era somente ele pelo crime cometido, mas também aquele que ligava a máquina que o mataria. A doença me levou àquele consultório, mas o médico entregou-me um pacote maldito, uma notícia drástica. A m-o-r-t-e, que saltou eufemismada da boca do doutor passava a ser meu animal de estimação, minha cadeira elétrica presa numa coleira e algemada em meu pulso, segurando minha pulsação que agora fazia contagem regressiva. Mas os pensamentos, meio que adaptados a minha nova realidade foram formando-se mais rapidamente que o normal, dando-me a ciência de que eu não tinha tempo para lidar com as consequências de um tapa na cara de alguém. Eu não tinha tempo para muitos dos atos para os quais eu tinha tempo há 30 segundos atrás. Eu não tinha tempo para parar para pensar. Resolvi literalmente pensar correndo.
Corri escadas abaixo, corri pelos corredores, corri pelas ruas, corri pelas escadas do meu apartamento, corri sala adentro, em direção ao meu guarda roupa. Peguei uma mala. Corri ao enchê-la com qualquer coisa. Depois parei de correr. Decidi pensar parada, porque se eu realmente tiver que realizar tudo que pretendo agora, não posso esquecer coisas como um carregador de celular.
Ia perder tempo num ônibus. Não queria utilizar os métodos comuns para que o tempo passasse rápido, como ouvir música ou ler. Se fosse ler, teria que ser resumos rápidos. Se fosse ouvir música, Precisava ser ao vivo, eu não tinha tempo para gravações.
"Encontre o que você ama e deixe isso te matar."
Lembrei dessa frase e ela ecoou pelos meus ossos, enquanto corria o tempo que eu me permiti parar. "Encontre o que você ama e deixe isso te matar." Eu não podia deixar a morte me matar, tinha que ser outra coisa. Mas eu amava muita coisa. Família, amigos e cão de estimação, principalmente. Depois o sol. Depois a música "elephant gun". Se você reconhece a magnitude daquela frase de Charles Bukowski, tem que aceitar que Amy Winehouse, Chorão e Elis Regina tiveram finais... certos. Eles amavam tanto aquela sensação a que se submetiam... Se acha que a morte deles não foi digna, a realidade é que não existe morte digna, apenas vida, e eles a tiveram. Eu não me oponho a esta ideia, pois amor, gosto e sinal de nascença, cada um tem o seu, e é melhor não discutir. Não dá pra escolher entre amores mais amados. Então mudei a frase, a meu gosto: Encontre o amor mais legal e deixe isso te matar.
Eu havia encontrato algo, há três anos atrás. Um rapaz legal, pobre e cheio de sonhos como eu. Então não era atrás da minha família que eu pretendia ir, não era atrás de meus amigos. Para eles eu planejei uma carta chorosa e grata para ser escrita dentro do ônibus. E não importava o quão tristes todos ficariam ao saber que o pouco tempo de vida que eu tinha, eles não o viveram comigo, pois eu não podia perder meu tempo sofrendo com o futuro sofrimento dos meus amores. Eu só tinha tempo para encontrar o meu amor mais legal, e tinha que ser isso. Peguei minhas coisas e coloquei mesmo na mala, com uma roupa qualquer, uma maçã, o número do telefone dele, subi no ônibus.
Separei o vestido do encontro.
Separei um lenço florido para o cabelo.
Construí espectativas enquanto escrevia minhas cartas.
Toquei campainhas e fiz crianças rirem.
Beijei o homem que me deu instruções de como chegar ao meu destino.
Roubei flores de uma floricultura.
Ouvi música sim.
Encontrei meu amor e morri.
Se alguém escrevesse um livro sobre isso, seria curto, comum. Meus dias finais não possuirão mais detalhes para serem contados. Não quis deixar detalhes para não ter que disputar minha imortalidade com tantos outros. Nem quis virar santa. Fui feliz na vida e tive sorte de encontrar meu amor em casa. Se eu tivesse mais de trinta dias, encontraria todos os meus amores em casa. Se eu tivesse um dia, ficaria em casa. Se eu tivesse trinta anos... escreveria uma história, basearia ela em um ou dois fatos reais e colocaria algum drama para lembrar as pessoas da brevidade da vida e de seus amores legais.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
suco de saquinho
Primeiro pareceu a melhor solução do mundo! Depois a coisa
mais idiota que pensara. Era um ciclo tão frequente que nem fazia mais tanto
efeito em suas atitudes. Antes queria trocar a roupa, maquiar-se e ir em
direção ao mundo, e resolver o mundo com umas duas atitudes revolucionárias. Agora
tudo que tinha vontade de fazer era tomar um banho e esperar o entusiasmo ir
embora junto com o calor.
Depois de refrescada, pensaria umas besteiras sobre a brevidade da vida, sobre o ano que estava passando rápido, sobre o que tinha na geladeira para comer... e como comia, meu Deus.. Nem era inverno ainda e todo aquele tédio, resultado do entusiasmo misturado com a água fria do banho, lhe fazia querer comer a geladeira inteira. E lhe fazia engordar um pouco mais, certamente... Claro, tinha o plano da dieta e da academia, mas estava calor demais para provocar suor propositalmente naquelas esteiras alinhadas, tão convidativas. Academia lhe fazia achar que era muito melhor assistir uma série de TV que forçar ignorar aqueles ignorantes que brincam de analisar e medir seus músculos uns com os outros, tentando provar a eles mesmos que todo o resultado positivo é fruto de um esforço glorioso merecedor de aplausos, mas sabem eles mesmos que malhar, depois que já se é fortinho, não é nenhum desafio, senão apenas mais uma diversão que durará algumas horas de inflação de ego. Eles voltam para casa e gastam longos minutos admirando seus músculos em crescimento e zombando silenciosamente dos "frangos" que nunca alcançarão seu glamour. Pensam em qual suplemento comprarão quando os seus acabarem, porque já estão na metade... podiam ser mais baratos... será vão legalizar aquele suplemento proibido no Brasil mas que sustenta monstros nos Estados Unidos? Depois de um bom tempo, a maioria para de malhar e lamenta os tempos saudosos em que toda aquela gordura um dia fora massa muscular.
Mas ainda assim, pensava que poderia ser muito bom entrar na academia, porque todo mundo gosta de uma massagem no ego provocada por um elogio. Era apenas mais uma daquelas suas ideias muito boas, que começavam com uma vontade de ir à loja de roupas e comprar alguns tops confortáveis, umas bermudas e shorts bonitinhos, e terminavam com um desânimo e uma vontadezinha de abrir a geladeira pra enganar o esômago com pelo menos um copo de suco. E bebe o suco enquanto passa a tarde inteira atualizando o facebook.
Dessa vez ela foi atrás do suco. Da próxima vez conquistará o mundo!
Mas ela duvida até se lembrará de levar o copo à pia quando terminar... se os desejos serão os mesmos até o beber todo o suco.
Mas ainda assim, pensava que poderia ser muito bom entrar na academia, porque todo mundo gosta de uma massagem no ego provocada por um elogio. Era apenas mais uma daquelas suas ideias muito boas, que começavam com uma vontade de ir à loja de roupas e comprar alguns tops confortáveis, umas bermudas e shorts bonitinhos, e terminavam com um desânimo e uma vontadezinha de abrir a geladeira pra enganar o esômago com pelo menos um copo de suco. E bebe o suco enquanto passa a tarde inteira atualizando o facebook.
Dessa vez ela foi atrás do suco. Da próxima vez conquistará o mundo!
Mas ela duvida até se lembrará de levar o copo à pia quando terminar... se os desejos serão os mesmos até o beber todo o suco.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Subúrbia
Nasci Conceição
e que alegria meu Deus, não há espaço pra dor
tenho por isso
toda a suburbanidade de um rio de janeiro bastidor
aqui tem suor e amor
e alegria até no cheiro de um feijão fresco
tem gelo no refresco
e água fria na mangueira
não reclame do calor, não fale besteira
é tempo de sorriso, de suco de limão
Nasci Conceição
por uma razão superior
que não tem nada a ver com a pele brigadeiro
porque o amor verdadeiro
faz qualquer um sentir esse calor
até quem lê sua. Gostou?
é sua a felicidade que eu sinto
porque te dou.
e que alegria meu Deus, não há espaço pra dor
tenho por isso
toda a suburbanidade de um rio de janeiro bastidor
aqui tem suor e amor
e alegria até no cheiro de um feijão fresco
tem gelo no refresco
e água fria na mangueira
não reclame do calor, não fale besteira
é tempo de sorriso, de suco de limão
Nasci Conceição
por uma razão superior
que não tem nada a ver com a pele brigadeiro
porque o amor verdadeiro
faz qualquer um sentir esse calor
até quem lê sua. Gostou?
é sua a felicidade que eu sinto
porque te dou.
Luciene da Conceição Nascimento, a Jardineira.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
"and have fun"
Um pouco de liberdade para divagar
"Divagar: v.i. Andar errante, vaguear; percorrer ao acaso.
Fig. Fantasiar; discorrer saindo do assunto.
Delirar."
em segredo
A Suja já sabia desde o início
Que quando se venda os olhos
a alma voa leve
Distribuindo atitudes impróprias
e umas outras parábolas.
De metáfora em metáfora
me contou com risos contidos
que viveu uma vida em uma noite
e vomitou o que se arrependia
para voltar pra casa e encarar
uma segunda-feira, uma terça,
uma quarta, uma quinta, uma sexta vez.
Que quando se venda os olhos
a alma voa leve
Distribuindo atitudes impróprias
e umas outras parábolas.
De metáfora em metáfora
me contou com risos contidos
que viveu uma vida em uma noite
e vomitou o que se arrependia
para voltar pra casa e encarar
uma segunda-feira, uma terça,
uma quarta, uma quinta, uma sexta vez.
sábado, 16 de junho de 2012
Abri uma porta
alguns anos depois
(esse foi o tempo que vi passar)
estava tudo intacto
perdoe as expectativas frustradas de quem abrira a porta antes de mim
perdoe a ignorância do atraso
eu fui emboa mas voltei,
não estava trancada
não tenho a chave.
(esse foi o tempo que vi passar)
estava tudo intacto
perdoe as expectativas frustradas de quem abrira a porta antes de mim
perdoe a ignorância do atraso
eu fui emboa mas voltei,
não estava trancada
não tenho a chave.
domingo, 1 de abril de 2012
Porque toda flor seca

As pessoas saem por aí amando
umas às outras, incondicionalmente
Por que razão adotam essa des- filosofia?
Não, eu não quero isso
não preciso querer
é desgraça opcional
Ainda que doa e não se sinta, é ferida.
A melhor parte, a racional, a da conquista,
passa rápido.
Dispenso a tela escura da consequência disso
dispenso o descontentamento poético
e os comentários infelizes
dos hipócritas que vão dizer que estou errada
mas que passam uma vida toda
se arrependendo.
terça-feira, 6 de março de 2012
era eu?
Conspiraram contra minha pseudônima noite passada
e eu fingi que nem era comigo
não era, de certa forma
mas no fundo até doeu um pouquinho
foi tudo manipulado
disseram que era eu lá
falando de putas e cornos e hipócritas
mas no fundo não era, você sabe
eu não falo dessas coisas
só a suja tem coragem
é assim que eu a chamo, a suja
Descobri semana passada que ela fuma escondida
cigarro importado, aquela bandida
ela é boa, no fundo
mas fuma e bebe
e desconfia que está grávida de quatro em quatro meses
diz ela que é uma boa frequência
eu acho que ela mente
mas enfim
eu tive que saber a bobagem que ela escreveu que acharam que era eu
e me arrependi quando reli
a suja escreveu assim:
"venha encarar, isso não é um sonho
me chama de suja mas não me ofende
não me entende e me guarda em seu interno enfadonho
mas quando me mostro sou exposta, não me envergonho
hipocrisia nem de longe me encosta
pobre de você que me criou e não me suporta em noites de lua cheia"
Me chamou de hipócrita aquela ordinária
E ainda tiveram a coragem de dizer que era eu.
domingo, 4 de março de 2012
não duas vezes

-Calma Catarina, calma
fica quietinha, com a barriga pra baixo que passa e você nem se assusta.
De repente, novamente aquele estrondo irrompe dos céus e Catarina geme de susto, de medo.
-Calma, quando ele faz barulho é por que já caiu
e não vai cair aqui por perto, é sempre longe.
- Então por que a TV queimou da última vez?
Anselmo faz aquela cara de surpresa e se pergunta
como como aquela criança tinha a capacidade de o deixar sem saída; solta um sorrisinho em seguida:
-Foi porque a fada da tempestade queria que a gente tivesse uma TV nova.
Catarina sorri
- Então ela é do bem?
-Claro que é. Ela visita a gente às vezes. Na última chuva ela pousou ali na sala e veio brincar de boneca na porta do quarto.
Catarina relembra a arquitetura da casa e ao analisar o único corredor que sai da sala e chega até seu quarto, ela completa:
- Mas que mentira, Anselmo! Ela nunca passaria duas vezes pela sala.
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