quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não faz sentido

Às vezes ela para pra pensar
e chega à conclusão de que
mesmo que pense a vida inteira
ainda que pense o tempo todo
nada
absolutamente nada se conclui
porque o fim é tão psicológico
quanto o frio que sentiu
quando ele disse que acabou
porque nada se acaba
nem mesmo o amor
amava é o pretérito mais imperfeito que existe.
Ela sabe que nada do que diz faz sentido
mas os sentidos são tão subjetivos
quanto o frio que ela sente agora.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Segundo Turno ^^

Votem em mim!
caráter inegável
olhar implacável
sorriso amável
bondade sem fim

Esse porte "bom moço"
é pra ele que torço
- Vá em frente que eu ouço Dr Serafim!

Que voz mas segura
o povo delira e vai à loucura
"Votem em mim"
que carisma ele tem
se me der um vintém
não duvide de quem
é o melhor pra mim
- Dr Serafim, Dr Serafim!

"Votem em mim"
olhe só pra esse moço
devendo à justiça até o pescoço
come o filé, roemos o osso
angu de gravata tem sempre um caroço...
mas se me der um vintém
de fato não nego, carisma ele tem
domingo nas urnas não dá mais ninguém
-Fala seu moço, mais alto que eu ouço
"Votem em mim, votem em mim!"
- danado esse home, o dr Serafim.

Qualquer semelhança com a realidade, eu juro q é mera coincidência. Não há posições estabelecidas aqui okz .-.

Recado à Solidão

Mando esta noite
um recado à solidão:
ainda que faça frio
ainda que eu ouça o vento forte
ainda que não haja voz de acalento ao redor
se houver a escrita
e um violão
e todos estes pensamentos
o mundo gira ao redor
e o meu mundo dança suave
brinca contente
dentro de mim.
A mão pode estar fria
o papel um pouco amassado...
mas se houver o que escrever
o lápis se transforma em asas
e a folha branca
apenas o céu infinito.

Um dia

Vou escrever um livro
que fale de amor e poesia
e que tudo de mais lindo neste mundo
caiba em suas páginas
Quero fazer pousar sobre as folhas
uma leveza de sentidos
que se mescle aos seus
e quando você o estiver lendo
carregado pelos pensamentos do dia
já curvado pelas cargas da vida
vai sentir o gosto da fragrancia
de toda aquela pureza tão leve
e vai voar...
que sua prisão seja a liberdade
e que seu destino seja subir até alcançar as paredes do céu.
depois me conta como foi ok ;)
Um blog de poesia é como um caderno grande de pensamentos. A gente esconde por um tempo mas acaba desistindo quando percebe que o tamanho e o conteúdo, um é difícil de esconder, o outro você só finge que quer esconder. Já ouvi dizer que o poeta é um fingidor. Jardim Secreto já foi mais secreto há um tempo; hoje ele é seu também.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Taciturno

Se a lua disser
"Chega" do teu pranto
e porventura fizer frio
pegue um manto
cobre os braços
inibe o arrepio
a lágrima teimosa.
Cessa a dor se puder
e o torpor, se vier
põe no rosto
e o desgosto de mulher
antes exposto
faz transposto por um sorriso sequer
dorme assim como quem sonha
sonha sim
como quem quer.
Tudo o que nasceu dentro de mim
insiste em dentro mesmo permanecer
como a lágrima chorada outrora,
como a perfeição que o espelho nega,
como os poemas que eu mesmo nego
são apenas reflexos da fraqueza muda e covardede
de alguém que pensa ter o mundo nas mãos
mas no final percebe
que apenas escreve
o que o mundo todo diz
com palavras faladas sem medo.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sem medo

Sonhei com você uma vez,
e de novo,
e comecei a refletir
por que havia tanto de você dentro de mim.
Se por orgulho nego teus carinhos
por carência amo teu sorriso
e reflito depois
se agi de acordo com as regras da sanidade...
Me prometes amor verdadeiro
Te juro amizade contida
porque sei
que se por alguma razão a amizade
que por ti guardo
perdesse a vergonha
esta noite
sonharia contigo de novo
e amanhã te amava sem medo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Então eu despida de de razão vim escrever minha história baseada na memória de um tempo vivido em vão e tratado com muita escória, pra dizer que na verdade, o que realmente importa não é a beleza da imagem ou da palavra que conforta, só quero passar a mensagem...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Era só fechar os olhos e vinha a cavalo branco tudo aquilo com que eu sempre sonhei um dia. Podia sentir, como se estivesse imersa num paraíso de aromas, o perfume de tudo o que eu via naquela casa. Desde a lavanda que perfumava o ambiente ao eucalipto que fora usado para dar aspecto de frescura aos móveis de madeira escura na sala. Da janela escancarada como um sorriso infantil podia ver aqueles alvos lençóis estendidos no varal dançarem desinibidos a canção vinda dos canários. E o vento... este sabia sua direção tanto quanto uma criança perdida num campo ensolarado de girassóis. Era suave e terno.
Olhastes em meus olhos como se os tocasse com as mãos. Tão firmemente que não havia tempo a perder com o movimento das pestanas. Era amável teu olhar. Não piscamos nós. Mas olhastes meu lábios...e eu ouvia seu respirar.


O momento fora breve
o vento fora leve que o cabelo nem balançou
mas o resto todo o fez;
o tronco contido,
o sopro no ouvido
que o mundo desfez;
logo o olhar singelo,
sorriso amarelo,
arrepio outra vez.
Fora leve...
Fora breve...tanto quanto a fantasia.
Num susto repente
me ponho acordado
o sonho ceifado,
suspiro enforcado,
manhã se fazia
eu ainda carente.