domingo, 4 de março de 2012

não duas vezes


-Calma Catarina, calma
fica quietinha, com a barriga pra baixo que passa e você nem se assusta.
De repente, novamente aquele estrondo irrompe dos céus e Catarina geme de susto, de medo.
-Calma, quando ele faz barulho é por que já caiu
e não vai cair aqui por perto, é sempre longe.
- Então por que a TV queimou da última vez?
Anselmo faz aquela cara de surpresa e se pergunta
como como aquela criança tinha a capacidade de o deixar sem saída; solta um sorrisinho em seguida:
-Foi porque a fada da tempestade queria que a gente tivesse uma TV nova.
Catarina sorri
- Então ela é do bem?
-Claro que é. Ela visita a gente às vezes. Na última chuva ela pousou ali na sala e veio brincar de boneca na porta do quarto.
Catarina relembra a arquitetura da casa e ao analisar o único corredor que sai da sala e chega até seu quarto, ela completa:
- Mas que mentira, Anselmo! Ela nunca passaria duas vezes pela sala.


sábado, 18 de fevereiro de 2012


Arte me encanta de verdade. Você vê o mundo todo com os olhos de sempre e de repente se surpreende com o oposto de tudo, uma harmonia exposta num pequeno espaço para a qual sua atenção se volta de maneira especial. Quando um indivíduo se senta sob sol ou sob a sombra, diante de um quadro, de um caderno, de um instrumento, de um computador, de um espelho, de uma câmera e pinta, esculpe, escreve, veste ou toca, reveste o espaço de toque pessoal e toca outras pessoas. Arte é aquilo que pra cada um é um belo que é indiscutível. E o belo é tão relativo quanto tudo. Chama tanto a atenção quanto uma chama no escuro; queima também, quando surpreende. Choca quando é inesperada. É esperada quando ganha adeptos. É marcante quando vem da alma.

Vim falar do que me encanta

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Essa foi tirada pela Ranna Nicolau e a mais de duas semanas é capa no meu facebook. Foi tirada há mais de um ano e ainda é minha favorita. A Ranna não é uma fotógrafa, é um mito. Clique no nome dela e conheça seu flickr. E somos eu e a Talissa na foto.


Essa foi tirada na casa da Talissa pela Ranna Nicolau há um mês, mais ou menos


Essa, eu tirei há um ano em um editorial com a Talissa para o blog dela, perto da Biquinha aqui na nossa cidade, Quatis-RJ.



Não sem quem tirou essa foto da Karina Pimentel, mas eu queria uma foto dessas. Em Quatis, RJ.


Essa foi tirada pelo TulioVieira
Ele diz que brinca de tirar fotos. Eu acho que ele é um brincador muito bom.


Essa também é da Ranna, ela por ela mesma.
Essa também é a Ranna, só que com um toque especial. Foi desenhada pelo Bruno Arantes.
Esses desenhos são fabulosos.


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maquiagem também é algo que me encanta

No Canal da Alice Salazar, no youtube, você encontra dezenas de tutoriais muito muito bons.

Esses olhos e essa maquiagem são da Ranna Nicolau.

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Gostaria que você entendesse bem o que vou colocar aqui: não é tanto pela roupa, mas pelo modo que se veste. Eu encontro pessoas que, com muito pouco, conseguem transformar as roupas do dia a dia em um retrato de si, e isso pra mim é também uma arte.



Ela é a Ashleigh, encontrei-a no lookbook.nu, um site de jovens do mundo inteiro que enviam fotos de seus estilos.
veja também no blog da Karina Pimentel esse post:

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Falando em Karina Pimentel...



Ela tem 18 anos, mora em Quatis, faz faculdade de medicina veterinária, e trabalha como cantora nas horas vagas. E ela é muito boa nisso.
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Seria quase uma rebeldia,
falar de música e imagem
não valeria minha passagem
se não tocasse em poesia


que elas falem por si:



Clarisse Lispector

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”

Presença De Noel
(Martinho da Vila e Gracia do Salgueiro)

Se um dia
A boemia me chamasse
Com saudade e perguntasse
Por onde anda Noel
Com o meu sorriso responderia
O autor de “Filosofia”
Anda na terra e no céu
Eu não sambei com Noel
Com ele eu não cantei
Porém um dia sonhei
Que eu era o seu menestrel
Eu não bebi com Noel
Eu não vivi com Noel
Mas sei que ele está presente
Com a gente em Vila Isabel
E na avenida
Se me vêem como espelho
Eu sou o seu aparelho
Num transe de carnaval
E a fantasia que se usa
Já tem os tons de lá do céu
Que são as cores
Da nossa Vila Isabel

(uma releitura dessa música com pequenas modificações foi usada como samba-enredo da escola de samba Vila Isabel no ano passado. eu achei muito muito boa. E sambei na minha sala, de madrugada. )

Saudosa Maloca
Adoniran Barbosa

Si o senhor não "tá" lembrado
Dá licença de "contá"
Que aqui onde agora está
Esse "edifício arto"
Era uma casa véia
Um palacete assombradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímo nossa maloca
Mais, um dia
Nóis nem pode se alembrá
Veio os homi c'as ferramentas
O dono mandô derrubá
Peguemo todas nossas coisas
E fumos pro meio da rua
Aprecia a demolição
Que tristeza que nóis sentia
Cada táuba que caía
Duia no coração
Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homis tá cá razão
Nós arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertor"
E hoje nóis pega a páia nas grama do jardim
E prá esquecê nóis cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida,
Dim dim donde nóis passemos os dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca,maloca querida,
Dim dim donde nóis passemo os dias feliz de nossas vidas.

A paz que eu não quero

Marcelo Yuka

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz
Não é paz, é medo
As vezes eu falo com a vida, as vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Pra tentar ser feliz?"
(...)
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.


obrigada por ler.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

feriado do imbecil comemora-se rindo muito.


Eu estava rindo da vida agorinha mesmo
refletindo aqui, rindo...
A vida é uma piada.
O ser humano tem um maldito afeto por facilidades
diz mentiras ao invés de verdades
mas era melhor eu nem dizer nada...
Machuca pra não ser machucado
se vinga quando está magoado
os ouvidos, possuem um tampão cada.
a vida é uma piada.
A gente entra nela sabendo de nada
alguns apanham pra mostrar que estão vivos
e todos se alegram da desgraça alheia
bem vindo ao barco furado, pobre recém
faça piada e ria também
que aqui a gente só está de passagem
e a passagem tem sido cada vez mais cara
rara é a ocasião em que se vê vantagem
a cara a tapa ninguém quer dar não né?
têm-se dado outras coisas...
e as maternidades estão cheias,
e as barrigas estão cheias
de Ovomaltines e Big Macs
fácil mesmo é reclamar da vida fácil
e virar a cara pra notícia de guerra
mas eu mesma adoro um filme de ação
nem sei porque não assisti a luta dos sem-terra
acho que porque era uma ação meio suja.
sujeira tanta que nem Omo concentrado
me retira deste estado
que a vergonha sobrepuja
é o estado de inércia.
um grande sábio já disse:
tanta filhadaputisse
que só rindo pra aguentar...
sobem eles no altar
pra vomitar toda imundice
porque eleição ta chegando!
lembre do que eu já lhe disse:
a vida é uma piada
vai com calma, "Mãe Gentil"
já estão em me pedindo voto?
nem vi, fruta que caiu.
caiu a máscara inclusive
mas já colocou de novo e riu.
se a gente ligar pra tudo não vive
porque essa budega já virou Brasil.
o jeito é dar uma de senil
assistir meu seriado
que amanhã é feriado
viva o dia do imbecil \o/

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

au revoir

Sabe que eu não ligo se vou sentir fome ou frio
vou aparecer mais distante quando olharem de novo
estou desapontada por ter que fugir
mas vai ser só mais essa vez.
devia mesmo colocar o cabelo pro alto
e sair saltitando por aí como eu planejei desde cedo.
se as metáforas saírem tortas
peço que leve ao pé da letra
e vou mesmo a pé, se você quer saber
antes que o vazio pise mais forte
e as letras se percam pelo caminho.
Também não me importo se vou ser aguardada
não desejo a ninguém o que eu já fiz por tanto tempo
não guardo desejo de ser esperada
não quero a saudade de um adeus iminente
não quero a partida chorosa dos filmes
nem quero chegar, se é que me entende.



domingo, 8 de janeiro de 2012


"Talvez eu não seja uma pessoa ideal pra ser amada"
ou talvez eu esteja muito errada
em pensar que existem mesmo forma e conteúdo ideais
talvez eu só esteja cansada
porque essa vida já me fez condenada
a viver de amores banais.
Talvez eu seja mesmo oca
ou esteja um pouco desbotada
talvez só esteja cansada
de amores meia-boca
de postagens ensaiadas
de fingir que estava louca
só pra ouvir que era amada
pra sentir que fui sentida
ao invés de ser apontada
como aquela que estava perdida.
Acreditei que a vida
estivesse sendo engraçada
caçoando de minhas feridas
sorrindo das minhas topadas...
Mas ao final de cada jornada
cada um aprende um pouco
eu vou entender que nada
que me faça perder tempo
deve me deixar preocupada
que se a decepção for amena
o máximo que sinto é pena;
se algo muito demora
compreendo que não é a hora;
se a saudade não é verdadeira
não ligo,
abro a geladeira
pego o refri e um chocolate
que se a decepção persiste
um choro doce faz parte.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E assim renasceu o Natal

"Se você quer mesmo saber, Natal é só uma grande desculpa pra se gastar." "Doei nossa árvore de Natal, aqui em casa não tem mais criança" 
Ali jazia um par de ouvidos, meia dúzia de sonhos, um bocado de desejos cintilantes cor-de-natal. Natal tinha cor pra ele, tinha brilho, tinha rastro de luzes e cheiro de forno com bolo. Tinha vontade de passear, tinha vontade de admirar a energia que tudo tinha. Mas aquelas frases vieram seguidas de um aspirador de pó de pirlimpimpim. Ficou tudo limpo em seguida, alvo e seco. Mas antes tivesse alguma cor.
Nem tudo estava perdido. Ele fez uma promessa, rebelde que era, teimoso que era: Natal não seria pra ele coisa de criança, não seria pra ele data de apenas comprar, não perderia o cheiro e a cor, e tudo que mais possuía intrinsecamente. Porque se Natal era uma invenção, agora era uma invenção sua.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

post perdido nos rascunhos de uma manhã sem jeito...

Acordei hoje com vontade de dormir por mais três horas. Guiei meu corpo pelas vielas conhecidas do quarto pequeno, arrastando o par de chinelos laranja pelo caminho com os olhos cerrados, até a porta. bati a perna em algum objeto comum do quarto, que me fez consciente dos movimentos errantes. Agora lembrando, não sei dizer bem se eu me sentia num corpo ou em qualquer outro recipiente mais pesado. Já na cozinha, não tinha café na garrafa, não tinha pães no armário, não havia leite na geladeira, não tinha nem o farelo do bolo de ontem. Não tinha ânimo pra permanecer naquela cozinha. Me arrastei mais um pouco até outro cômodo, que, agora lembrando, nem era meu quarto, era outro lugar. Daí eu sentei naquela almofada, que, revendo aqui na minha mente, eu achara que era meu travesseiro. Apenas virei meu corpo de lado e devolvi as 3 horas que o recipiente pedia. Mais tarde acordei atrasada pra vida, com fome de almoço, com sede de leite quente. O rosto oleoso, e o cabelo daquele jeito. Era mais tarde do que eu pensei. Perdoe se te fiz ler tudo isso enquanto você achava que leria algo bonito ou coisa do tipo. Agora lembrando aqui, eu também achei que sentaria e escreveria algo de bom. Se bem que, revendo aqui na minha mente, esta não é a primeira coisa que escrevo sem grande utilidade.
Talvez te faça refletir: se eu tivesse dormido mais três horas desde o início...

sábado, 3 de dezembro de 2011

que é pra ignorar o mundo explodindo lá fora.

te vejo na feira


A verdade é que quando eu olho pra ela
se houvesse chuva, eu sei que a aura de energia
que ela comporta ao redor
repeliria cada pingo
porque quando ela flutua na direção das frutas
e o dono da barraquinha olha pra ela
eu percebo que ele tem os olhos ofuscados
pela luz que ela comporta ao redor
e que vem de dentro, eu sei.
ainda assim, quando ela pega as maçãs
quando ela apalpa o tomate
eu sei que no fundo no fundo
ela apenas cumpre com uma habilidade admirável
a mania de escolher com cautela
de qual desses tons de vermelho
vai ruborizar a pele do rosto
enquanto me olhar parado na outra calçada
e perceber que ao mesmo tempo eu olhava de volta.
aí ela vai se assustar por me ver ali mais uma vez...
depois ela vai caminhar novamente
com um ar de quem não se importa
mas eu sei que no fundo no fundo
na hora de descascar as frutas que comprou pela manhã
vai se perder em pensamentos tão dispersos
e na sublimidade de suas reinações
vai me lembrar parado na esquina
acompanhando toda aquela candura
entornar os pés um de cada vez na calçada enquanto passa.
se ela soubesse que eu acordo cedo só pra ver isso
aquele princípio de sorriso perdia a vergonha
e ela acenaria, só por simpatia
e eu ia dormir bem mais leve que as sacolas que ela carrega.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

tava pensando aqui...

Tirei férias do blog pra acalmar a mente... quanta bobagem, meu Deus.
Na verdade eu estava sem tempo pra fazer o que gosto. Putz.
É assim que eu transgrido minha filosofia de vida.
E isso vai acontecer ano que vem novamente, tenho quase certeza
porque eu poderia vir aqui e dizer que não farei novamente, não errarei nunca mais
mas nós sabemos que seria mais um pensamento bobo.
Eis que volto à rotina da escrita novamente. Bem vindo ao blog (: