domingo, 12 de dezembro de 2010

sonho do menino...


Ela tinha um sorriso meigo, um rosto que contornava o sorriso e fazia tudo parecer uma obra prima. Não usava acessórios, nunca um colar, uma pulseira, um brinco. Ao passar naquela rua nº 32 diziam que ela saltitava ao invés de andar, e caminhava com aqueles pulinhos como se guardasse um segredo e não o quisesse contar. Nada de chicletes ou pirulitos, ela passava simplesmente como se nada pudesse tirar sua atenção dos galhos ao redor do caminho. E o sorriso abria- o mais quando cumprimentava ao seu lado a vizinha que a adimirava em segredo. Ia pra casa assim como quem não se importasse com nada. De fato não ligava pra o que eu pensava. E eu tinha pra mim que me casaria com ela daqui a alguns anos e caminhariamos juntos depois das 6. Eu segurando aquela sombrinha vermelha, ela, o carrinho de bebê.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Com amor

Da poesia boba se enjoa rapidamente
tanto quanto os próprios poemas se cansam da gente
vê-se beleza em algo e faz-se logo uma poesia
que fala da noite e do dia...
que fala de um cisne no lago...
mas o Poema já sabia:
o Humano o mundo vigia
pensa q isso não traz alegria
e resolve fazer um poema de afago.
Sente-se leve e comprometido
como quem realiza um dever;
dos próprios problemas não tinha esquecido
e o Humano pensou que podia escrever
só porque viu beleza em algo
na noite de um dia, nadando num lago.
Mas o Poema desse cortês :
escreve com amor que retorno eu lhe trago
o humano pensou que seria sensato
e passou a compor com amor dessa vez
e em vez de bobagens insanas
foi falar de Marias e Anas
e toda barreira se desfez
aprendeu uma lição
pode falar sobre o que quiser
mas quando a inspiração vier
escreve com o coração
com todo carinho que um verso requer
e terá cumprido sua missão.

domingo, 28 de novembro de 2010

Fotografia

A janela semi- aberta
o cestinho de ovos
a luz de fora sobre o piso branco
o café ficando pronto.
A copa era clara
sob a luz do dia
e eu amava aquele cheiro de café
Para que eu jamais me esqueça
de que fui feliz
de que me fizeram feliz.

Sei que um dia vou embora, mas guardo pra sempre essa fotografia

sábado, 27 de novembro de 2010

14:31

Não olhe agora mas
ele vem vindo logo ali
passando com pressa
tão bem arrumado
tão sempre certinho
sempre tão pontual
caminha sempre em frente,
nunca volta, nunca.
- Qual é o nome dele?
- Tempo, me disseram.
- Nunca parei para vê-lo...
- Agora ele já passou.

Por dentro

Contempla fime e desinibido
os olhos do inocente
e se consterna

Depois do crime não cometido,
é tão igual à cara da gente,
à parte externa;
a diferença nossa é por dentro


o núcleo necrosa
e deixa horrorosa
a face do centro
tem cheiro de dor
de gás de vulcão, tão podre o odor
parece que a dor
exala paixão em morrer,
em isso querer
paixão em deixar imaculada
a face desdenhosa
robusta e feiosa
de falsidade inoculada
como veneno que queima interno
com a face revelando nada.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"tinha uma pedra no meio do caminho" by me


Na cerquinha do quintal eu deixei uma maçã
tinha uma maçã na cerquinha do quintal
tinha uma maçã
na cerquinha do quintal eu deixei uma maçã.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Fiquei com fome até a noitinha
porque estava brincando lá no quintal
e deixei minha maçã em cima da cerquinha :/

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Devaneio Sortido...

Saudade
é quando uma força alheia a nós
tem a ousadia
de me privar do mérito
de te amar mais de pertinho

sábado, 6 de novembro de 2010

à ela

Um dia me perguntaram sua utilidade
respondi que não sabia
e de fato não sei
sei diferente, não posso explicar
sairiam palavras tortas, de origem desconhecida
as quais só você compreende
mas como você é surda
não digo, só escrevo
Poesia, você é meu alento
alento, você é minha poesia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quando do meu interior surge um conflito
não paro e reflito com deveria ser
não paro nem pra isso,
devo ter um compromisso
ou algum outro afazer...
Então os guardo no mais profundo do meu ser.
Por hora padecem no colo da inocência
mas um dia florescem como se não bastassem
as besteiras da adolescência
Ficaria louca de impaciência
por logo tudo resolver
Mas quando acabasse o momento de insensatez
voltaria tudo ao normal
...
começaria tudo outra vez.
Devaneio sortido...

Sabe quando nem muito esforço é capaz de deter essa vontade?
é o momento que decido que melhor seria não ter vivido
que morrer sem provar sua verdade
Às vezes tudo o que eu quero é te embriagar com um pote de mel
u.u